Crônicas de Riverview - Parte 12 - O segredo de saber esperar

       Anteriormente

       Apesar da obrigação, Edmundo não queria um relacionamento a base de fingimentos, ele respeita os costumes da coroa mas não suportaria esse tipo de situação, tentou muito se imaginar assim e era impossível. Ele era adulto e experiente o bastante para reconhecer que não havia clareza no que sentia, amor, amizade, aceitação...Ele admitia uma atração física, mas isso se tem com muitas mulheres, além disso havia uma simpatia muito grande, admiração e respeito, mas e ela o que sentia? Era importante para ele saber, e se ela talvez não gostasse dele, nem sequer suportasse? Só havia um jeito, descobrir, e ele escolheu uma bela manhã para fazê-lo, durante uma caminhada ensaiou várias maneiras de falar, mas na hora não sabia como começar. Estava envolto em seus pensamentos e sendo atrapalhado de organizá-los por um filhote que saiu sabe-se lá de onde, quando ouviu Kelly falar.
_ Estamos calados hoje não é?
 _ Um pouco me parece.
Seria uma Oportunidade? Pensou ele e emendou.
 _ Algo a incomoda?
 Ela franziu a testa e olho para os próprios pés.
_ Essa situação de casamento não te deixa apreensivo?
O que responder sem deixar má impressão? Sua apreensão não era pelo casamento, era por não saber o que ela sentia.
_ É um grande passo, uma grande responsabilidade...
_ Não é?!
Ela parecia aliviada e continuou a falar.
_ Nos conhecemos na infância e um pouco na adolescência, nos separamos por anos, vivendo cada um a sua história e agora... Uau! Casamento! A promessa de viver eternamente juntos! Isso é pesado...
Histórias? Ela tinha histórias? Que histórias uma garota em um internato poderia ter?
_ Edmundo! Você me ouviu? O que tem a dizer?
_ Ham... Sim! Histórias.... Bem, vivemos nossas experiências, é claro _ Ele deu ênfase a palavra experiência _e somos adultos agora, não nos conhecemos mais, e isso é verdade...
_ Você teve muitas... "experiências" Edmundo?
 _ Bem, as normais que todo homem tem, e deve ter!
 _ Você não se guardou para mim?
Ele levou um susto, como assim? Mas se acalmou quando viu que ela estava rindo muito.
_Ah Edmundo... Você tem suas experiências e conhecimentos de homem, treinamento de batalhas, brigas, política... Eu tenho as que li em livros, noticiários, nos hospitais e cortiços que visitei , sei bastante sobre a vida não se engane, não me internei em um convento, era uma escola que prepara mulheres para o futuro... Mas confesso que nunca beijei. 
Agora Edmundo sabia, ele estava apaixonado por essa mulher.
_ Desculpe, se fui grosseiro e antiquado.
 E ele tomou sua decisão, então pegou suas mãos com delicadeza.
 _Kelly, eu sinto por você uma profunda admiração, sinto também apesar de não a conhecer, uma forte devoção, mas o que eu quero propor é que não nos casemos com tanta pressa, que tal alguns meses para nos conhecer novamente e aprender um pouco da experiência um do outro?
Ela sorriu lindamente. 
_Sim, e vamos começar agora, posso te beijar?
        A decisão foi anunciada ao rei que aprovou, ele não podia falar, mas sabia muito bem que seria benéfico conhecer o futuro parceiro com mais calma. Já Lúcia não gostou nem um pouco.
_ Como Susana? Eles não podem demorar a se casar, pois só poderei fazê-lo depois que ele fizer.
 _E que mal há em esperar mais um pouco meu amor?
_Susana! Você viu o retrato do meu futuro esposo, você sabe o que as mulheres que vão a Aurora Skies dizem sobre ele?
Susana apenas riu. 
_ Você ri irmã?! Ele é lindo e galante, tem todas as mulheres a seus pés, e se ele não aguentar esperar ou não quiser, hem? Isso é hora de Pedro ficar moderninho? Deixasse para quando chegasse a vez de sua filha, não na minha!
 _Os tempos estão mudando querida Lúcia, e isso é muito bom, principalmente para vocês que são jovens, você verá.
Com isso Susana também viu vantagens nessa espera, pois Lúcia precisava amadurecer mais um pouco.

Comentários

Atalho

Atalho
Se quiser começar desde o início