Crônicas de Riverview - Parte 27 - Introdução a navegação
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Viajaram um dia e uma noite chegando em Barnacle Bay logo ao amanhecer, foram direto ao porto para alugar um navio para Monte Vista e foram surpreendidos por um porto sem movimento, navios ancorados e mercado parado. Ao averiguar descobriram que notícias do aparecimento de um Kraken deixou todos temerosos de zarpar, então estavam com o porto fechado e até um cúter averiguar a história. O Jeito era falar com o Governador e ver se havia um navio disponível para zarpar sem esperar a tal averiguação. Foram recebidos pelo secretário Jonas e informado que o governador estava no Cúter enviada ao mar, Pedro expôs seu problema e o secretário disse que só poderia providenciar um transporte quando o cúter retornasse, e arrumar marinheiros seria outro problema, pois os marinheiros acabavam aproveitando a superstição para beberem. Estavam nesse dilema quando foram interrompidos por outro homem, que se apresentou como secretário pessoal da irmã do Governador, dizendo que ela iria recebê-los, Pedro não entendeu bem, mas seguiu o secretário. Fazia tempo que não a via, seu pai faleceu pouco antes da morte de Caspian e agora o filho mais velho ocupava o cargo, e tinha o filho do
meio também. A família Goldbeards eram tradicionais corsários, mas um de seus antepassados ganhou a confiança do bisavô de Pedro e este o convidou a governar Barnacle Bay, que era a porta principal de Riverview para o oceano. Pedro não via Georgina com frequência então não se lembrava dela, sabia que sempre foi uma garota criada diferente desde criança, viajava com o pai, tios e irmãos para o auto mar, coisa não permitida as mulheres em geral, das poucas lembranças o que ficou era de uma garota forte, forte demais para uma garota, então ficou surpreso com a bela mulher a sua frente, continuava uma mulher diferente, pois estava vestida de forma bem feminina como a maioria das mulheres, mas se via sua robustez e emanava força em vez de delicadeza, mas tudo de uma maneira harmoniosa. É como se ela nascesse para ser assim, não se podendo imaginá-la diferente.
meio também. A família Goldbeards eram tradicionais corsários, mas um de seus antepassados ganhou a confiança do bisavô de Pedro e este o convidou a governar Barnacle Bay, que era a porta principal de Riverview para o oceano. Pedro não via Georgina com frequência então não se lembrava dela, sabia que sempre foi uma garota criada diferente desde criança, viajava com o pai, tios e irmãos para o auto mar, coisa não permitida as mulheres em geral, das poucas lembranças o que ficou era de uma garota forte, forte demais para uma garota, então ficou surpreso com a bela mulher a sua frente, continuava uma mulher diferente, pois estava vestida de forma bem feminina como a maioria das mulheres, mas se via sua robustez e emanava força em vez de delicadeza, mas tudo de uma maneira harmoniosa. É como se ela nascesse para ser assim, não se podendo imaginá-la diferente.
_ Majestade, é um prazer revê-lo depois de tanto tempo.
_ O prazer é meu. Quanto tempo mesmo? Nem me lembro...
_ Muito muito tempo, acho que éramos adolescentes.
_ Mas não por minha culpa, se bem me lembro você nunca parava em terra firme.
_ Verdade, sei que a culpa é do excesso de sal no sangue dos Goldbeards.
Assim que ficaram a sós Georgina se explicou.
_ Lhe pedi uma audiência ou concedi como ficou parecendo, me desculpe se pareceu atrevido pois imagino a urgência de vossa majestade.
_ Será que imagina mesmo?
_ O Rei sempre agenda suas viagens a tempo de prepararmos uma boa embarcação, e se veio assim de surpresa é assunto de última hora com certeza.
_ Acertou, mas não posso dar detalhes somente que preciso partir para Monte Vista o quanto antes.
_ Não é que meu tio não tenha interesse, ou não se importe com sua urgência, ele simplesmente não tem os meios. É um Goldbeards, mas dos que não se dão com o mar, e na sua idade perdeu o jeito e a paciência de falar com os marujos. Mas eu posso ajudá-lo, consigo uma embarcação para amanhã bem cedo...
_ Isso seria perfeito Georgina...
_ Há uma caravela de guerra ancorada, pois está ultrapassada e será transformada em comercial, é ideal pois é pequena e com a pouca tripulação e carga viajarão mais rápido ainda, só preciso saber quantos viajarão para providenciar mantimentos, se quiser.
Outra pessoa duvidaria por ela ser mulher, mas Pedro sentiu segurança, Georgina confiava em si mesma e passava essa confiança, então fecharam acordo e Pedro foi aconselhado a se juntar ao seus e descansar até a manhã do outro dia. Assim que o rei se retirou Georgina foi abordada pelo tio Jonas.
_ O que está aprontando Gina? Você não vai sair para o auto mar. Estou empenhado a lhe arrumar um casamento, você prometeu para seu pai no leito de morte que iria sossegar e cumprir a vontade de sua finada mãe...
_ Eu vou cumprir tio, mas faz tanto tempo e tenho saudades do mar. Mas é uma urgência de sua majestade não reparou?
_ Tudo é urgente para um rei, ainda mais um rei bon-vivant.
_ Não importa tio, pode ser capricho como pode não ser, e se não fizermos de tudo para auxiliar vossa Majestade, seu sobrinho "o Governador" pode ficar prejudicado, e Tio, é ali em Monte Vista, com o navio leve vou em volto em pouco menos três meses, uns meses de descanso, volto e me caso com o primeiro que achar, tudo bem?
_ Ok Gina é a última vez, se despeça dessa vida e prepare-se para a nova. _ Disse tio Jonas saindo em seguida
_ Sei, volto e caso com o primeiro que aparecer_ disse Rahul seu secretário pessoal e amigo.
_ Vou enrolando Rahul depois penso nisso, agora é achar um capitão para comandar esse navio, por mais que eu possa fazer isso esse bando de mentes fechadas não irá ficar à vontade com uma mulher no leme.
_ Já tenho alguém em mente, o capitão Heleno deve estar bêbado feito um gambá, será fácil embarcá-lo, quando curar a ressaca já estará no meio do oceano.
_ E marujos? Tem quer ser os menos supersticiosos e preconceituoso, sabe como é, eu e você...
_ Eu também vou?
_ Claro, não passarei por isso sem meu melhor amigo.
_ Amigos são para isso, dizem, espero que tenham militares interessantes, pois esperar isso de homens do mar é pedir demais.
_ Pare, meus irmãos são muito interessantes.
_ São raridades. O rei é ... Interessante_ Disse Rahul de forma bem maliciosa_ é claro que não faço o tipo dele, é só uma observação.
_ E nem eu, pelas histórias e pelo que vi daquela que se hospedava com ele na casa da cachoeira, ele gosta de mulher fina e delicada.
_ Você é finíssima Gina, e delicadeza é algo supervalorizado nos dias de hoje.
Os marujos foram convocados e uma boa quantia oferecida para se arriscarem encontrar o Kraken pelo caminho, mas eles aceitaram também por gostarem e respeitarem os Goldbeards. Se empenharam e antes do amanhecer o navio estava carregado com suprimentos, o que pôde ser arrumado durante a madrugada. Então trouxeram o Capitão, carregado e totalmente alheio ao que estava acontecendo, além do capitão Heleno, foram contratados mais quatro marujos, o cozinheiro Ismael, Gael e Saulo para dividiriam as funções de mestre do navio e carpinteiro, e por último o menos experiente Cristian que seria o criado de bordo e faz tudo, Georgina seria o imediato, quando o
capitão estivesse em condições. E entre os militares escolhidos estavam quatro amigos, Cabos George, Rodrigo, Brian e Sgt Isaac, antes de zarparem Georgina os reuniu para dar instruções sobre a viagem, como economia de banhos e o tipo de alimentação numa viagem longa, pois pelos menos dois deles nunca tinham viajado de navio. Os homens do Rei nunca tinham visto uma mulher comandando um navio, nem Pedro na verdade, e todos eles nunca em trajes masculinos e justos, não sabiam dizer se era agradável ou não e sim estranho, mas ela parecia não notar nem se importar com os olhares, estava à vontade consigo mesma e isso era admirável. Depois das instruções Georgina pediu permissão ao rei para zarpar, e assim foi feito, e a admiração por ver essa mulher de aparência forte conduzir um navio era tão interessante e curioso que o medo e desconfiança ficaram em segundo plano, pelo menos para
Pedro, para os outros havia uma pontinha de medo ainda. Ao passarem pelo cais Rodrigo um dos militares estava a acenar com um lenço.
_Que isso Rodrigo só falta chorar!
_Me lembrei de um poema:
Ditosos a quem acena
Um lenço de despedida!
São felizes: têm pena...
Eu sofro sem pena a vida.
Doo-me até onde penso,
E a dor é já de pensar,
Órfão de um sonho suspenso
Pela maré a vazar...
E sobe até mim, já farto
De improfícuas agonias,
No cais de onde nunca parto,
A maresia dos dias.
_Lá vem você com essas palavras difíceis_ Disse George
_Não tenho culpa de saber usar as armas, a pena, e o cérebro, algo que talvez não tenha dentro desta
sua cabeça
_Sim Mestre Rodrigo! Eu sei que não merecemos entrar no seu clubinho seleto, por isso falará sozinho por meses, pois além de
você somente o rei e apaixonado por livros, não imagino vocês dois trocando poemas, "ser ou não ser eis a questão..."
_Isso não é um poema seu bronco
_Ha não, gosto mais quando você me xinga com palavras difíceis
_Aff...Cansei de vocês_ Saiu Rodrigo deixando seus amigos as gargalhadas
Nisso o secretário de Georgina que estava se divertindo com a conversa se aproximou de Rodrigo.
_Não se preocupe, não estará sozinho, tem eu Georgina, separamos um baú cheio de livros. Me chamo Rahul
_É um prazer conhecê-lo, eu sou o Rodrigo.
Os primeiros dias foram difíceis para Rodrigo e Isaac, que foram os que passaram mal pela falta de costume, mas os marujos conheciam plantas para ajudar nessa questão e logo todos estavam adaptados. Pedro por sua vez passou as primeiras horas de viagem mais na proa que em sua cabine, pelo que parecia tinha muitos assuntos a discutir com a temporariamente capitã Georgina.
Nota: Poema: Marinha de Fernando Pessoa






















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