Crônicas de Riverview - Parte 29 - Homem ao mar!
A semana estava indo muito bem, apesar de dois dias de chuva, mas sem tempestades, em dias assim a viagem fica bem monótona, pois quem trabalha no convés fica ao relenta se molhando e passando frio, e o restante da tripulação fica presa nos camarotes ou áreas de refeição, o jeito é ler, jogar ou conversar uns com os outros, fica-se preso e sem conforto, se a chuva durar dias a coisa complica,
pois o camarote começa a ficar abafado e já se prefere ficar no convés tomando chuva. Mas sem maiores problemas o dia da farra chegou e como Rahul falou Ismael não economizou nos ingredientes, o que já não estava estragado foi usado em sua maioria. Então todos comeram e principalmente beberam como não houvesse amanhã, esses eventos são úteis pois aproximam a tripulação, e as pessoas se conhecem melhor, e se descobre coisas como quem são os músicos, os dançarinos, quem chora, se retrai ou fica conversador quando bebe, ou quem bebe muito.
Geralmente em uma tripulação se cuida uns dos outros, mas nesses dias alguém pode se distrair, ou alguém pode ir para o convés cambaleando, e dependendo da quantidade de álcool pode ter visões ou o sexto sentido aguçado, depende da sua crença. E sem ninguém para impedir pode mergulhar nessas visões, sonho ou realidade, seja como seja elas a ilusão é sempre mágica e sedutora. E quando os outros percebem talvez seja tarde demais. Foi assim aquela noite, uma garrafa vista no chão, a falta de um tripulante e gritos de alerta, um mergulho no mar ou vários mergulhos. Como estavam ancorados em uma área com boa profundidade para mergulho, Cristian foi encontrado, foi realizada todas as medidas, mas muito tempo havia se passado. O resto da noite foi de lamentações e despedidas, pois logo de manhã o corpo seria deixado no mar, a melhor sepultura para um marinheiro.
_Foram as sereias, ah se foram..._disse Ismael_ elas são espertas e traiçoeiras, sabem a hora de atacar e pegar um desavisado, distraído ou bêbado, traiçoeiras e covardes. Todos as imaginam belas, talvez até sejam, mas são más, filhas de satanás...
_Chega dessas crendices de marinheiros, ele ficou bêbado e caiu no mar, como estava bêbado feito gambá, se afogou, simples.
_Me desculpe capitão Tyrone, mas marujo não se afoga nem bêbado, vivemos no mar, na água.
_Talvez Saulo que é ótimo em mergulho, mas os outros? Bêbados ficamos todos iguais, estúpidos
_Meu amigo Cristian não era estúpido, inexperiente pode ser, mas não estúpido mais respeito...
O clima não estava ficando bom e príncipe Edmundo teve que intervir
_Chega! Não é hora disso, seja o que for que aconteceu, é um segredo que só a noite e essas águas sabem. Se Cristian foi inexperiente, estúpido, sortudo ou azarado não importa, nós somos isso tudo o tempo todo, pode acontecer a qualquer hora com qualquer um. Vamos dedicar esse dia ao nosso companheiro, sem desentendimentos e com respeito ao que o outro acredita, pois pode ser qualquer coisa, não sabemos de tudo desse mundo.
E assim os ânimos se acalmaram e todos foram sentir a dor e o choque a sua maneira, entre eles Rodrigo se mostrou bastante abalado, pois apesar dos turnos que estavam cumprindo serem mais relaxados que o normal, ainda sim era seu turno, e ele e sentia culpado. Talvez se não tivesse se distraído com a algazarra, se tivesse feito mais rondas... Cristian poderia estar vivo e curtindo uma boa ressaca, Rahul viu o que amigo estava passando e tentou consolá-lo.
_Cristian era um marujo que mesmo sendo o mais novo ainda sim tinha experiência de várias viagens, sem falar que era filho que veio de linhagem de marujos, se podemos chamar isso de linhagem, não era sua responsabilidade cuidar da segurança da tripulação. Você mesmo disso que estes turnos eram para não perderem o costume, não amolecerem.
_ Mas ainda assim, era meu turno, qualquer alteração naquela noite poderia ter feito toda diferença, toda!
_ Tá não vou insistir, acho que é coisa de militar esse sentimento de responsabilidade e é direito seu se sentir assim, você precisa de tempo, todos nós precisamos.
_ Sim, dizem que ele cura tudo né? Lembro de todas as merdas que fiz, o tempo não me fez esquecer, mas dói menos, incomoda menos. Amanhã é outro dia para nós os vivos.
Aguardem próximos acontecimentos



























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